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Os mais de três mil quilômetros de fronteira se caracterizam por serem uma região com grande riqueza biológica. C
Crédito: Claudio Contreras
Reportagem
Biodiversidade não admite obstáculos
Por Stephen Leahy

A construção de um muro fronteiriço aceleraria a deterioração dos ecossistemas da fronteira México-Estados Unidos, alertam especialistas.

TORONTO, Canadá e SAN JOSÉ, Estados Unidos, 17 de julho (Tierramérica).- Cientistas temem que as tentativas de fechar a fronteira entre os Estados Unidos e o México tenham um grande impacto sobre a natureza e a ecologia, frágil e única, da região. O recente envio da Guarda Nacional norte-americana à região e a idéia de construir muros e obstáculos preocupa muito os ecologistas dos dois países, que participaram da vigésima reunião anual da Sociedade para a Biologia da Conservação, em San José, Califórnia, entre 24 e 28 de junho.

“Um muro teria profundos impactos ecológicos”, alertou Laura López-Hoffman, ecologista da Universidade Nacional Autônoma do México. “Impediria o movimento de muitas espécies e algumas áreas seriam destruídas durante a construção”, disse ao Terramérica, em San José. Ao longo da fronteira há muitas espécies exóticas e ameaçadas, e algumas áreas são vitais para as espécies migratórias, explicou. “Não estudamos as potenciais conseqüências ambientais de obstáculos ou muros, mas está claro que haverá impactos”, assegurou a especialista.

A fronteira internacional, de 3.141 quilômetros de extensão, entre México e Estados Unidos atravessa uma região biologicamente diversa de deserto, planícies, montanhas, vales, manguezais, cidades e povoados. Muitas espécies de mamíferos, pássaros e plantas, bem como 12 milhões de pessoas, vivem ao longo da fronteira. “Os de fora da região não se dão conta do quanto existe aqui”, López-Hoffman.

O Fundo Mundial para a Natureza e a The Nature Conservancy documentaram uma extraordinária diversidade biológica nos desertos de Chihuahua e Sonora, no noroeste do México e sudoeste dos Estados Unidos, respectivamente. Acredita-se que ao redor de ambos fica a zona de maior biodiversidade da América do Norte, afirmou Nathan Sayre, da Universidade da Califórnia, durante a conferência. “O estado ambiental ao longo da região limítrofe (que, geralmente, se define como 160.934 metros em cada lado da fronteira) varia do seriamente degradado ao maravilhosamente prístino”, destacou Karl Flessa, da Universidade do Arizona.

A área do parque Big Bend, no Estado do Texas, está em boas condições, porém muitas partes ao longo do Arizona, incluindo algumas do Monumento Nacional Organ Pipe Cactus, um parque de 133.825 hectares no deserto de Sonora, estão muito degradadas devido ao contrabando de flora, fauna e de drogas, afirmou Flessa em uma entrevista. “Funcionários do parque no Monumento Nacional atuam como guardas de segurança, tentando controlar toda a atividade ilegal”, ressaltou.

Estima-se que US$ 4,5 bilhões em pássaros, lagartixas, cobras e insetos são contrabandeados para os Estados Unidos a cada ano, através do México, disse na conferência Adrián Quijada Mascareñas, da Universidade Michoacana, de San Nicolas de Hidalgo. Apenas entre 10% e 15% dos animais sobrevivem para chegar ao seu destino final. Mascareñas disse que os contrabandistas de drogas estão se dedicando ao comércio de espécies porque é menos perigoso e, se acabam pegos, muitas vezes são apenas multados.

“O volume do contrabando de flora e fauna tem um profundo impacto na própria biodiversidade do México”, afirmou López-Hoffman. De fato, as selvas e os desertos do México e da América Central são roubados para saciar o apetite de colecionadores de animais exóticos. Sem o enorme mercado norte-americano para drogas ilegais e mão-de-obra barata, haveria muito menos tráfico na fronteira, acrescentou. Construir mais muros e implementar controles mais rígidos simplesmente significaria que os contrabandistas, traficantes e trabalhadores migrantes ilegais entrarão por lugares mais remotos, danificando áreas antes intocadas, disse Flessa.

Em seus esforços para deter esta maré, os próprios guardas de fronteira causam muitos danos. Constroem estradas, queimam amplas áreas para melhorar a visibilidade, cercam caminhos, preenchem valas e estuários, acrescentou. A imigração ilegal e o controle de fronteiras têm o potencial de danificar algumas das paisagens mais belas de nosso país, disse Rodger Schlickeisen, presidente da organização não-governamental norte-americana Defenders of Wildlife (Defensores da Natureza), em uma declaração escrita. Em particular, Schlickeisen expressou sua preocupação pelo impacto ambiental dos projetos de construção de muros na área sudoeste, que são parte do projeto de imigração do Senado norte-americano. Tais barreiras empobreceriam a biodiversidade dos Estados Unidos, disse Flessa.

Em termos gerais, as terras fronteiriças do México gozam de melhor saúde ecológica do que as norte-americanas, e abrigam muitas espécies que estão em risco nos Estados Unidos, como o antilocapra americana (Antilocapra americana sonoriensis). “Os poucos jaguares (Panthera onca) que habitam o Arizona procedem do México, e assim fará o lobo cinza mexicano (Canis lupus baileyi), que é reintroduzido no Novo México”, afirmou. A famosa borboleta monarca (Danaus plexippus linneo) habita do México central até o leste dos Estados Unidos e do Canadá. Porém, o desmatamento no México reduziu drasticamente sua quantidade.

Todos estes são exemplos de como as atividades humanas e as condições ambientais podem afetar a qualidade de vida e o meio ambiente, disse López-Hoffman. Essa realidade indica que é preciso um trabalho conjunto em nível local para solucionar estes temas e problemas. Também supõe um olhar crítico às políticas do governo nacional que criam as condições de pobreza no México, e demandam mão-de-obra barata nos Estados Unidos, disse. “As políticas elaboradas em Washington e na Cidade do México chegam a um ponto crítico na fronteira”, concluiu Flessa.

* O autor é correspondente do Terramérica.

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