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| Destaques O retorno dos “pássaros-crianças” Por Sandra Guijarro
De outubro a março, os pingüins-de-Magalhães regressam à terra no Sul do Chile para acasalar-se, num espetáculo terno que atrai milhares de turistas até Seno Otway, onde um dia estiveram a ponto de desaparecer.
SENO OTAWAY, CHILE., (Tierramérica).- A cada ano, os pingüins-de-Magalhães regressam à terra no Sul do Chile para procriarem e conviverem em grupos na praia, como em uma reunião de banhistas, em Seno Otway, 70 quilômetros a noroeste de Punta Arenas, a cidade mais austral do Chile. Os também chamados “pássaros-crianças” são pequenos - medir no máximo 70 centímetros de altura - têm pelo branco e costas negras, e o fato de contemplá-los caminhando pela praia ou deslizando para o mar produz nos seres humanos sentimentos de ternura, encanto e paz.
Isso explica que cerca de 35 mil pessoas os visitem a cada temporada. Os pingüins-de-Magalhães (Sphenicus Magellanicus), uma das nove espécies que vivem no Chile, retornam a cada mês de outubro para procriarem em pequenas ilhas da Patagônia, na Terra do Fogo e nas praias da margem oriental do golfo Otway. O clima desta região, a mais ao Sul do país, cerca de mil quilômetros ao Sul de Santiago do Chile, se mantém frio, nebuloso e com ventos procedentes da Antártica. O vento marca a vida nesta parte do mundo, podendo ultrapassar os 120 km/h.
Esses pingüins podem viver até 20 anos. Costumam ter o mesmo companheiro durante toda a vida e anualmente voltam a essas paragens para ocuparem os mesmos ninhos que deixaram na temporada anterior. Um casal de pingüins tem comumente duas crias, excepcionalmente três, mas apenas a mais forte sobrevive. Estas aves podem submergir até 120 metros de profundidade e nadar a 40 km/h nas geladas águas onde se alimentam de krill (um crustáceo) e plâncton.
Durante muitos anos, os pescadores artesanais usavam os pingüins como isca na pesca da centolla (crustáceo da família do siri), de carne muito apreciada. Também eram vendidos embalsamados ou capturados para zoológicos públicos e privados.
Há dez anos, a Fundação Otway administra o lugar. “Quando iniciamos o trabalho de proteção da região, restavam apenas cerca de 400 pingüins e a colônia estava se extinguindo”, disse ao Terramérica Kai Horst, doutor em Ciências Naturais e diretor da Fundação. Hoje, a colônia tem mais de dez mil indivíduos. Entretanto, persistem graves ameaças relacionadas à alteração climática, pesca exagerada e vazamento de petróleo.
Na região há outro local de concentração de pingüins, no Parque Nacional dos Pingüins, na Ilha Magdalena, no coração do Estreito de Magalhães. Uma barcaça transporta turistas, saindo de Punta Arenas e percorrendo 35 quilômetros rumo ao Norte. Além dos adoráveis pingüins-de-Magalhães, a colônia é estimada em cerca de 185 mil indivíduos, os visitantes podem ver a gaivota austral, a gaivota-dominicana e o cormorán, que completam a biodiversidade de uma zona de estepe onde não há lagoas ou rios. O parque está protegido e administrado pela Corporação Nacional Florestal (Conaf) e a temporada de visitas começa em dezembro. Terminada a tarefa de procriar, os pingüins voltam a viver no mar. Retornarão em outubro, e com eles milhares de turistas ansiosos para assistir esse fabuloso espetáculo natural. * A autora é jornalista e correspondente do Terramérica. |