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ONGs pedem que se olhe o futuro
Por Dionne Jackson Miller

A conferência sobre desenvolvimento sustentável, convocada para Johannesburgo este ano, não pode limitar-se a avaliar os dez anos transcorridos desde o encontro do Rio de Janeiro. ONGs do mundo pediram formalmente que seja elaborada uma agenda de trabalho para os próximos anos.

PORTO ALEGRE, (Tierramérica).- Ambientalistas e representantes de organizações não-governamentais de mais de 40 países pediram que durante a próxima Cúpula Rio+10 não seja avaliado somente o passado, mas, também, que seja elaborada uma agenda para o futuro e se promova a inclusão dos assuntos ambientais em todos os acordos comerciais mundiais. O manifesto foi divulgado na Universidade de Porto Alegre, em um fórum preparatório da conferência sobre desenvolvimento sustentável (informalmente conhecida como Rio+10), que acontecerá em setembro próximo na cidade de Johannesburgo, África do Sul.

A declaração coincidiu, também, com a abertura do II Fórum Social Mundial (FSM) na capital gaúcha, com a esperança de que a sustentabilidade seja um tema central nos debates desse encontro, que terminará no dia 5 de fevereiro. Os representantes da sociedade civil destacaram que a Cúpula Rio+10 , além de avaliar o progresso global em matéria de desenvolvimento sustentável desde a Cúpula da Terra realizada no Rio de Janeiro, em 1992, deverá avaliar uma nova agenda para o futuro.

Os participantes também reiteraram que o processo de globalização deve melhorar as condições de vida das populações do mundo e não apenas ocupar-se em aumentar ganhos de empresas multinacionais. “A natureza e sua proteção devem estar acima dos acordos comerciais internacionais”, disseram. O fórum preparatório da Rio+10 condenou as corporações internacionais que registram em seu nome patentes de conhecimentos pertencentes a povos autóctones e rechaçou a promoção de alimentos geneticamente modificados.

Também reclamou mudanças radicais nos padrões de consumo e produção e reiterou a necessidade de a população do planeta ter água limpa e terra. Finalmente, rechaçou “a posição dos Estados Unidos, que se nega a ratificar o Protocolo de Kyoto (assinado no Japão em 1997, com o objetivo de controlar as emissões de gases que causam o efeito estufa), colocando seus interesses econômicos acima dos interesses da humanidade”.

* A autora é correspondente da IPS.

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