HOME PAGE QUEM SOMOS ARQUIVO
 
  Home page
  Reportagens
  Destaques
  Análise
  Diálogos
  Grandes
  nomes
  Ecobreves
  Galeria
  Vídeo
  Contato
  Permissões
  de uso


Crédito:
Reportagem
As promessas do turismo verde
Por Dalia Acosta

Apenas entre 3% e 7% dos 680 milhões de viajantes do mundo são ecoturistas.

HAVANA., (Tierramérica).- O ecoturismo promete muito: desde a criação de empregos para as comunidades locais até importantes recursos para sustentar áreas naturais da América Latina. Entretanto, a fragilidade das leis e o escasso apoio aos sistemas de certificação podem convertê-lo em um modelo. No momento, o ecoturismo atrai entre 3% e 7% dos 680 milhões de turistas que viajam todos os anos pelo mundo e produz renda de US$ 200 bilhões anuais.

Trata-se de um segmento pequeno, apesar do rápido crescimento do mercado turístico, cujos desafios serão discutidos durante a Cúpula Mundial de Ecoturismo, organizada pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pela Organização Mundial do Turismo, entre os dias 19 e 22 de maio, em Quebec, Canadá.

Segundo a definição do Pnuma, o ecoturismo deve contribuir para a conservação da diversidade biológica, sustentar o bem-estar da população local, incluir experiências de aprendizado e a ação responsável de todos os atores, ser fornecido por negócios de pequena escala a grupos reduzidos e requerer o menor consumo possível de recursos não renováveis. Para diferenciá-lo de explorações que se disfarçam de verde, deve-se colocar em vigor sistemas de certificação, que controlem os procedimentos em jogo para outorgar o certificado ambiental. Mas sua implementação é incipiente na América Latina.

Em Cuba, observar os monolitos verticais cobertos de vegetação do Parque Nacional de Valle de Viñales, percorrer suas cavernas e observar as aves constituem uma opção que compete com as melhores praias da ilha. Segundo as autoridades cubanas, o ecoturismo cresce ao ritmo anual de 12,6%. Em 2001, Cuba recebeu 1,7 milhão de turistas, dos quais 32 mil eram ecoturistas, enquanto outros 300 mil escolheram excursões vinculadas à natureza. Do mesmo modo que em outros países da América Latina, sua expansão não está isenta de contradições. “Os ecoturistas preferem alojar-se em um bom hotel na capital e virem aqui por sua própria conta, por um ou dois dias”, disse ao Terramérica Nena González, de 42 anos, que vive de alugar aos visitantes sua casa em uma das comunidades do Valle de Viñales.

Os viajantes contribuem para a renda dos que dirigem negócios privados, e também de guias improvisados que os levam a passear pelo vale, sem levar em conta cuidados elementais. “Jogam lixo em qualquer lugar, levam aves raras, caçam animais ou fazem fogueira na floresta”, disse González. Em Cuba existem cem locais de alto valor natural e cultural para o desenvolvimento do turismo de natureza ou aventura, mas sua exploração requer uma licença ambiental e deve ser realizada sob medidas de conservação.

Nem sempre é possível alcançar os ambiciosos propósitos do ecoturismo, e ocasionalmente sua promoção coloca em risco os recursos naturais dos quais depende, alerta o Pnuma, através de seu programa de turismo, dirigido por Oliver Hiller. Segundo o órgão, o ecoturismo pode servir como rótulo para empresas, públicas ou privadas, que vestem de verde qualquer projeto com o objetivo de levar adiante interesses particulares, enquanto a maioria dos turistas é ambígua quanto ao seu compromisso ambiental: gosta da idéia, mas não está disposta a pagar por ela, nem a passar incômodos.

A maioria dos países da América conta com políticas ecoturísticas básicas, mas carece de instrumentos para sua implementação e regulamentação, segundo estudo da Organização dos Estados Americanos. Para cada US$ 460 gastos por um turista para uma visita de quatro dias à reserva amazônica de Cuyabeno, no Equador, apenas U$ 40 vão para a comunidade local e US$ 22 para o Sistema Nacional de Áreas Protegidas, de acordo com um estudo da Associação Equatoriana de Ecoturismo. No balneário mexicano de Cancún e no de Punta Cana, na República Dominicana, para cada dólar que o turista gasta, apenas dez centavos ficam no país. Na Costa Rica, por outro lado, os empresários nacionais obtêm 48 centavos para cada dólar gasto.

Segundo o Instituto Centro-Americano de Administração de Empresas (INCAE), com sede na Costa Rica, os ecoturistas consomem mais e deixam mais dinheiro para as empresas locais do que aqueles que buscam sol e praias. Em 2000, a Costa Rica, pioneira em ecoturismo, recebeu 1,1 milhão de turistas, dos 4,4 milhões que visitaram a América Central. Segundo dados extra-oficiais, o ecoturismo atrai entre 65% e 70% do total de visitantes. “Estamos falando de, no mínimo, US$ 700 milhões por ano”, disse ao Terramérica Jorge Cabrera, redator da lei sobre biodiversidade, em vigor desde 1998.

O México recebeu 19,8 milhões de turistas estrangeiros e captou mais de US$ 8,4 milhões, no ano passado. Entretanto, o verdadeiro ecoturismo representa apenas 5% do total de visitantes e renda, segundo Héctor Ceballos, diretor do Programa Internacional de Consultoria em Ecoturismo. Embora o potencial do país seja enorme, pois conta com 127 áreas naturais protegidas, “são poucas as verdadeiras atividades ecoturísticas”, disse Ceballos.

Algo semelhante ocorre no Brasil, país que ocupa quase 6% da superfície terrestre e possui a maior riqueza biológica do planeta. Uma das maiores dificuldades é que as estatísticas não são confiáveis, disse ao Terramérica Ariane Janer, estudiosa do mercado de ecoturismo no Brasil. Em 1998, dos 38,2 milhões de turistas internos, entre 800 mil e 2,3 milhões praticaram ecoturismo; e dos 4,8 milhões de turistas estrangeiros, não mais que 450 mil eram ecoturistas, afirmou Janer.

Com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento, está em andamento um programa para desenvolver o ecoturismo na Amazônia. Nas costas do Atlântico, onde são conservados apenas 7% das florestas originais, há projetos para estimular o ecoturismo com o objetivo de aumentar a renda de pequenos e médios produtores e proteger e reflorestar a Mata Atlântica, um dos ecossistemas mais devastados do Brasil.

* A autora é correspondente da IPS. Colaboraram para este artigo Diego Cevallos/México, Néfer Muñoz/Costa Rica e Mario Osava/Brasil.

Tierramérica no se responsabiliza por el contenido de los enlaces externos
Assine o boletim semanal do Terramérica!
Destaques
Cresce o interesse por Ecoaldeias na Argentina
Conecte-se
Cúpula ecoturística
Ecobreves
PERU: Campanha por 35 novas áreas protegidas...
REGIONAL: Água para as Américas...
COLÔMBIA: Páramos em perigo...

Nova tentativa de conciliar agricultura e conservação

Estrada no Parque Nacional do Iguaçu pode acabar em impasse

Mineração massifica uso de água do mar

 

Copyright © 2014 Tierramérica. Todos os direitos reservados.