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| Dialogues A ciência é antídoto à pobreza Por Néfer Muñoz
O aquecimento global deveria ser prioritário para a comunidade científica, pois as calamidades que produzirá mudarão nosso modo de vida, adverte o astronauta Franklin Chang.
SAN JOSÉ., (Tierramérica).- “Os países da América Latina devem investir mais em pesquisa”, pois o desenvolvimento somente é possível quando a educação é prioridade, disse em entrevista exclusiva ao Terramérica o costa-riquenho Franklin Chang, de 52 anos, primeiro astronauta latino-americano da Nasa (Agência Espacial dos Estados Unidos). Como tantos na região, Chang emigrou para os Estados Unidos quando tinha 18 anos sem saber inglês, mas perseguindo o sonho de ser astronauta. Ali formou-se engenheiro e conseguiu o diploma de doutor em física. Em 1980 entrou na Nasa, onde acumulou mais de 1600 horas no espaço, em sete missões, a última no transportador Endeavour.
Entre 1983 e 1993, liderou o programa de propulsão a plasma do Massachusetts Institute of Technology, procurando desenvolver essa tecnologia para futuras viagens com destino a Marte. Em 1993, foi nomeado diretor do Laboratório de Propulsão Espacial Avançada da Nasa, e apóia pesquisas de doenças que afetam milhões de pessoas na região, como o Mal de Chagas. Continua crendo que a educação é o meio para alcançar os sonhos, e assim o reitera em conferências e palestras que dá a estudantes cada vez que visita a Costa Rica, onde é recebido como herói nacional.
Terramérica: Qual o problema ambiental que deveria ser prioridade para a comunidade científica internacional?
Chang: o aquecimento da atmosfera, por trazer consigo muitas outras calamidades que podem mudar o modo de vida de nosso planeta. Para enfrentar esses problemas é necessária uma mudança na forma de vida e nos costumes de nossos povos. Por isso, é muito importante que expliquemos isso às crianças desde cedo, para que tomem consciência da importância de proteger o meio ambiente.
T: O senhor tem a visão apocalíptica de muitos ecologistas sobre o futuro do planeta?
C: Tenho uma visão mais branda. Sou mais otimista quanto à capacidade do planeta de sobreviver, mas temos de tomar consciência dos problemas.
T: Como a ciência poderia ajudar a combater a pobreza na América Latina?
C: É preciso educar a população e os governos devem ter mais perseverança; precisamos gastar mais em pesquisas.
T: Como reduzir a brecha tecnológica entre países ricos e pobres?
C: A brecha vai diminuir com visitas recíprocas de cientistas, com intercâmbios culturais e estágios de jovens dos paíse em desenvolvimento nos países desenvolvidos.
T: Em que estágio estão as pesquisas que desde a Nasa o senhor vem apoiando para encontrar a cura para o Mal de Chagas, que afeta 20 milhões de pessoas na América Latina?
C: O Projeto Chagas envolve a Nasa e várias instituições da América Latina. O que fazemos é pegar compostos medicinais que existem em nossas florestas (tropicais) e levá-los ao espaço para encontrar possíveis curas para doenças que nos afetam. No caso do Mal de Chagas, temos feito provas no espaço com certos compostos que estão se cristalizando, para estudar sua estrutura molecular.
T: Qual sua maior preocupação sobre o futuro da humanidade?
C: Garantir a sobrevivência de nossa raça humana, de nossa civilização. E creio que esse é o objetivo primordial do programa espacial.
T: Qual mistério gostaria de ver revelado?
C: A existência de vida fora do planeta. E digo que deve existir, mas não a encontramos. Essa descoberta mudaria totalmente a perspectiva do ser humano. * O autor é correspondente da IPS. |