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Natrolita, uma das muitas variedades da zeólita.
Crédito: Photo Stock
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Zeólita, o mineral dos mil usos
Por Patricia Grogg

A versatilidade, abundância e baixo custo da zeólita, tornam este mineral uma ferramenta destacada na agricultura e em várias outras atividades econômicas em Cuba.

HAVANA, 25 de janeiro (Tierramérica).- Dona de importantes reservas, Cuba pretende aumentar a exploração de zeólita natural, cujas propriedades e emprego em produtos e tecnologias de diversas áreas científicas contribuem para o cuidado do meio ambiente. Para a especialista cubana Martha Velásquez, esse mineral de origem vulcânica tem papel essencial no desenvolvimento sustentável presente e futuro. Seus variados usos vão desde filtro de gases nocivos para o meio ambiente até resgate e melhoria de solos, nutrição animal ou aditivo para cimento na fabricação de concreto leve destinado à construção.

Os diversos empregos da zeólita derivam do seu potencial como intercambiador natural de íons, alto poder de adsorção (processo pelo qual um sólido é utilizado para eliminar da água uma substância solúvel) reversível, e tamis molecular natural, o que permite o seu uso na descontaminação de substâncias tóxicas agressivas. Também é capaz de intercambiar metais pesados, como chumbo, níquel, ferro e cobalto, e purificar tanto água potável como residual contaminada para ser lançada de maneira apropriada em corpos receptores, disse ao Terramérica Velásquez, especialista do Centro de Pesquisas para a Indústria Minero-Metalúrgica (do governo).

Por seu baixo custo e versatilidade na aplicação, a zeólita também tem importante papel na agricultura, para melhorar terras cultiváveis, potencializar fertilizantes químicos e orgânicos, ou como componente de substratos para o desenvolvimento de diferentes plantios. Na atividade pecuária, é usado como aditivo dos alimentos para diferentes espécies e nos leitos de filhotes de animais. Quando estas camas finalizam “sua vida útil”, deixam um adubo enriquecido em amônia e outros nutrientes de boa qualidade para uso agrícola, disse Velásquez.

Segundo fontes oficiais, 70% da superfície cultivada de Cuba sofrem o impacto da erosão, salinidade ou aridez. Contudo, o uso deste recurso é baixo na agricultura, que ainda não se recuperou da crise econômica dos anos 90, após o fim da União Soviética e do campo socialista da Europa oriental, seus principais aliados econômicos e ideológicos. A onda expansiva da recessão interrompeu também os programas de exploração e desenvolvimento da zeólita, que teve um auge nos anos 80.

A escassez de transporte e capital, junto a outras dificuldades trazidas pela crise, fizeram cair consideravelmente o emprego da zeólita, que estava a caminho de se tornar maciço, principalmente na agricultura. Velásquez disse que, atualmente, existe uma política de reativação da indústria agropecuária e que, na medida em que esta avance, crescerá o uso da zeólita no setor. Para isso, “é estudada a questão do transporte e são pesquisadas variantes mais econômicas”, afirmou. Outros especialistas também insistem em dizer que elevar o consumo interno é a prioridade do momento.

“Queremos empregar nossos recursos no país, mas é necessário que nos solicitem, que confiem na zeólita cubana e na tecnologia criada. E, infelizmente, muitos empresários têm receio dos produtos nacionais”, disse um funcionário do setor entrevistado pela mídia cubana. Como parte dos planos de recuperação, são feitos investimentos em três unidades atualmente em operação, para prepará-las para eventual aumento da demanda. Também estão previstas melhorias em mais de uma dezena de jazidas espalhadas por todo o país.

Em 2008, foram exportadas 600 toneladas de zeólita, cifra que cresceu em 2009 para mais de 4.490 toneladas. Um dos compradores é o Brasil, onde, entre outros usos, é empregada na substituição do tripolifosfato de sódio, altamente contaminantes, na fabricação de detergentes. A demanda por este recurso é elevada na União Europeia, Estados Unidos, Canadá e em algumas nações latino-americanas. Instituições de prestígio do Brasil e Japão atestam a alta qualidade das jazidas naturais de Cuba, disse Velásquez. “O ideal seria processar o mineral dentro do país e vendê-lo com maior valor agregado, mas falta financiamento”, ressaltou outro especialista.

Segundo pesquisas, há mais de 50 tipos de terras zeolíticas conhecidas. A clinoptilotita possui as propriedades mais interessantes de filtragem, absorção e sequestro de cátions (íons com carga positiva). A zeólita, “pedra fervente” em grego, tem estrutura semelhante a uma jaula, formada por tetraedros unidos por átomos de oxigênio. O mineral pode ser encontrado, preferencialmente, em áreas onde na pré-história existiram vulcões. Estados Unidos, Austrália, Turquia, Japão e China, além da África, figuram entre os principais produtores de zeólita, embora seja considerado possível encontrar jazidas em todos os continentes. Segundo dados do Escritório Nacional de Recursos Minerais do Ministério da Indústria Básica, há jazidas distribuídas praticamente por todas as províncias cubanas.

* Corresponsal de IPS.

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