HOME PAGE QUEM SOMOS ARQUIVO
 
  Home page
  Reportagens
  Destaques
  Análise
  Diálogos
  Grandes
  nomes
  Ecobreves
  Galeria
  Vídeo
  Contato
  Permissões
  de uso

Atração fatal.
Crédito: G. Marola/SeaWeb Marine Photo Bank
Reportagem
Corais em luta pela sobrevivência
Por Stephen Leahy

Delegados de 175 países discutem a nova lista de espécies de fauna e flora em risco de extinção para protegê-las do comércio indiscriminado. Os corais ocupam um lugar de destaque. Os corais já não terão essa oportunidade.

UXBRIDGE, Canadá, 22 de março (Tierramérica).- A sobrevivência dos corais, gravemente ameaçada pela acidificação dos oceanos, pesca de arrasto e pelo comércio de joias e enfeites, está mais perto do abismo pela decisão tomada em uma conferência realizada em Doha, capital do Catar. A extração de exemplares centenários movimenta um negócio internacional multimilionário. São tão belos que ganham a forma de colares de US$ 25 mil ou são exibidos em luxuosas mansões.

Para garantir que haja corais para as gerações futuras, Estados Unidos e a União Europeia propõem incluir as variedades vermelha e rosada (Corallium spp. e Paracorallium spp.) na lista de proteção da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Silvestres (Cites). Mas no dia 21, os representantes dos governos votaram contra a proposta de incluir essas espécies no Apêndice II da Cites, o que significaria um regime comercial controlado e a exigência para os países exportadores de comprovar que seu comércio não prejudica a sobrevivência dos corais.

Seria necessário o voto afirmativo de dois terços dos delegados presentes, mas apenas 64 o fizeram, contra 59 que votaram pelo não e dez abstenções. Os 175 países signatários da Cites estão reunidos entre os dias 13 e 25 deste mês em Doha, onde devem se pronunciar sobre medidas para aumentar a proteção de cerca de 40 espécies, entre elas o atum de barbatana azul, que também foi rejeitada.

No caso do atum e dos corais “prevaleceram os interesses políticos e econômicos de curto prazo em lugar da ciência”, disse Kristian Teleki, vice-presidente para Iniciativas de Ciência da SeaWeb, uma organização não governamental focada na conservação dos oceanos. “Os delegados governamentais ignoraram a informação científica que mostra que as populações dessas espécies estão em rápido declínio. Agora, em lugar dos governos, a ação cabe às indústrias de joias e aos seus clientes”, disse Teleki em um comunicado.

“Os corais vermelho e rosado estão entre as matérias-primas naturais mais valiosas. Sua inclusão na Cites não evitaria seu comércio, apenas o regularia”, explicou Teleki ao Terramérica, de Doha. “Neste momento são explorados de maneira insustentável para o comércio de joias”, acrescentou.

Cerca de 32 mil espécies, como a iguana verde (Iguana iguana), o mogno (Swietenia macrophylla) e o urso negro (Ursus americanus) figuram no Apêndice II da Convenção. Ao colocar uma espécie no Apêndice I, como proposto para o atum de barbatana azul, todo seu comércio passa a ser ilegal. “Por mais de 20 anos, os países do Mediterrâneo falam em implementar regulamentos para o coral, e nada foi feito”, disse. Os corais vermelho e rosado são encontrados principalmente no Mar Mediterrâneo e no Oceano Pacífico, e estão entre os mais valiosos e comercializados do mundo. Túnis foi um dos países que mais se opôs à proteção. Podem parecer plantas, mas na verdade são colônias de pequenos animais, pólipos, que formam os exoesqueletos de carbonato de cálcio que formam os arrecifes.

É precisamente o esqueleto, que permanece depois que morre o pólipo, que é usado com fins comerciais. Os corais vermelho e rosado são animais marinhos longevos, de lento crescimento, que durante séculos foram alvo de intensa pesca para satisfazer a demanda mundial de joias e enfeites, disse Teleki. Os vermelhos podem crescer 50 centímetros, porém, mais de 90% de suas colônias no Mediterrâneo têm de três a cinco centímetros de altura e menos da metade é suficientemente adulto para se reproduzir. Sabe-se muito menos sobre as populações do Pacífico, que ficam em águas do Japão e de Taiwan, ilhas Midway e Havaí.

A extração mundial de corais rosado e vermelho caiu entre 60% e 80% desde a década de 80, e o tamanho dos capturados também baixou significativamente, disse Andy Bruckner, do Escritório Nacional de Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos. Essa redução de tamanho nos corais vermelhos do Mediterrâneo representa perda de capacidade reprodutiva das espécies entre 80% e 90%, porque os corais maiores têm mais pólipos e, portanto, podem produzir mais colônias novas, disse Bruckner em um comunicado.

O comércio de aquários domésticos também consome grande quantidade de corais, pois são usados para recriar pequenos arrecifes como decoração. “Essa demanda levou a uma explosão do comércio de corais vivos, com crescimento anual entre 10% e 50% desde 1987”, afirmou Bruckner em um estudo publicado em dezembro na revista PLoS One. Nessa matéria estima que tal comércio movimente entre US$ 200 e US$ 330 milhões por ano, e que segue em crescimento. Porém, é dada pouca atenção aos impactos sobre os arrecifes, acrescentou. “Precisamos alguma forma de proteção para estes corais, a fim de que os governos e o público compreendam sua importância”, disse Teleki.

E isto implica um grande esforço, disse Matt Patterson, ecologista marinho do Serviço de Parques Nacionais dos Estados Unidos e coordenador da South Florida and Caribbean Monitoring Network. Em 2005, 90% dos corais das norte-americanas Ilhas Virgens esbranquiçaram. Como consequência, 60% dos arrecifes morreram. Quando foram solicitados recursos para ajudar a proteger os arrecifes que restavam, o governo norte-americano nada fez, disse Patterson ao Terramérica, de seu escritório em Miami. “Imaginemos os protestos e as respostas se 60% da Estátua da Liberdade fosse destruída”, disse.

Os arrecifes mantêm entre 25% e 33% das criaturas viventes dos oceanos. Cerca de um bilhão de pessoas dependem direta e indiretamente deles para sua subsistência. Os arrecifes coralinos não fornecem apenas alimento, como também reduzem os impactos de ciclones, furacões e atenuam as ondas. Há poucos anos, os cientistas pensavam que a pesca excessiva era a principal ameaça para os arrecifes.

Agora sabem que é a mudança climática, que aquece os oceanos os deixa mais ácidos. “Os corais são ecossistemas em perigo. A menos que priorizemos sua proteção, podem deixar de existir enquanto estamos vivos, o que, na verdade, me assusta”, acrescentou.

* O autor é correspondente da IPS.

Tierramérica no se responsabiliza por el contenido de los enlaces externos
Assine o boletim semanal do Terramérica!
Destaques
O Caribe treme
Análise
A saúde não é igual para a mulher pobre
Ecobreves
MÉXICO: Universidade verde...
BRASIL: Bioinseticida contra a dengue...
ARGENTINA: Aumenta o lixo...

Agricultura próspera é possível em Cuba

México se volta para o mar para remediar as secas

Chile busca energia em vulcões e gêiseres

 

Copyright © 2013 Tierramérica. Todos os direitos reservados.