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A degradação costeira afasta até pescadores.
Crédito: Inés Acosta/IPS
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O Rio da Prata atacado por terra
Por Inés Acosta

As águas do estuário que desemboca no Oceano Atlântico sofrem os embates do manejo descuidado da costa uruguaia, embora o processo dê sinais de apresentar uma reversão.

CANELONES, Uruguai, 21 de junho (Tierramérica).- O descontrolado aumento populacional nas costas do sul do Uruguai deteriorou as águas do Rio da Prata em um extenso trecho onde se confundem com as do Oceano Atlântico, alertam cientistas. “A zona costeira e os cursos de água doce são ecossistemas extraordinariamente importantes, onde as ações afetam diretamente as condições ecológicas marinhas e vice-versa”, explicou ao Terramérica o professor Omar Defeo, da Unidade de Desenvolvimento de Ciências do Mar da Faculdade de Ciências da estatal Universidade da República.

Defeo disse que em lugares como a Costa de Ouro, no departamento de Canelones (sul do país), “há áreas de criação, alimentação de aves e de muita atividade socioeconômica. São ecossistemas que se encontram em um equilíbrio dinâmico com o oceano, onde há diferentes fontes de intercâmbio”, acrescentou. A população da Cidade da Costa, contígua a Montevidéu, aumentou 93% na década de 90, no maior crescimento demográfico da América Latina nesse período.

A expansão do distrito, que hoje tem mais de 120 mil pessoas, não foi acompanhada de infraestrutura em saneamento nem por um plano urbano, e isso teve um impacto dramático em sua faixa costeira, destacam especialistas. No entanto, reconhecem que agora começam a surgir planos para reverter a situação com ajuda de agências multilaterais. O biólogo Pablo Muniz, professor-adjunto de Oceanografia da Faculdade de Ciências, disse ao Terramérica que, se estes ambientes forem alterados, “nada restará do ponto de vista biológico e, ao afetar os corpos de água doce que desembocam no Rio da Prata, isso repercute negativamente nas águas do Atlântico”.

O meio marinho, que inclui oceanos, mares e zonas costeiras adjacentes, constitui um componente essencial para a sustentação da vida e um valioso recurso para o desenvolvimento sustentável, como foi ressaltado na Primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, de 1992, no Rio de Janeiro. No Uruguai, é reconhecida a importância marinha e os especialistas alertam com “preocupação” sobre a deterioração ambiental que persiste neste ecossistema. Este país tem mais de 700 quilômetros de costa no Rio da Prata e no Atlântico, onde vivem mais de 70% de seus 3,3 milhões de habitantes.

Nessa faixa se concentram pesca, turismo, navegação e indústrias, que somam 75% do produto interno bruto, segundo o informe GEO 2008: Avaliação do Estado do Ambiente no Uruguai, do qual Defeo foi coautor. Os principais problemas são a alteração do habitat por agentes contaminantes, erosão, extração de areia e interferência no transporte natural de sedimentos, acrescenta o estudo feito para o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Ministério da Habitação e Meio Ambiente, com apoio de outras agências.

O retrocesso das praias destruiu ruas e casas da costa em vários de aproximadamente 30 balneários da área, enquanto outros sofrem o processo contrário, de sedimentação, com as dunas invadindo as áreas urbanas. O desaparecimento de praias na Cidade da Costa se deve ao manejo errado das águas pluviais que desembocam no Rio e antes ficavam confinadas nos mangues, hoje desaparecidos pela urbanização desordenada.

As águas do Prata não sofrem apenas na Costa de Ouro. Os estudos também alertam para áreas críticas, por sua contaminação orgânica e com metais pesados, como os levados pelo Rio Santa Lucía e o Riacho Pando, que correm pela área metropolitana de Montevidéu, que abrange os vizinhos departamentos de Canelones e San José. Outra vítima é a Baía de Montevidéu, embora a ação das autoridades deste departamento tenha conseguido reduzir parte da volumosa carga de agentes contaminantes que era lançada no Riacho Miguelete, que cruza a cidade.

Muniz afirmou que hoje, dez anos depois de um estudo feito por uma equipe da Faculdade de Ciências por ordem da prefeitura, as descargas de chumbo e cromo detectadas na época diminuíram em 90%. Isso pode ser observado no ambiente aquático, afirmou. Às margens do Miguelete e do Pantanoso, outro riacho da capital, “havia curtumes que lançavam seus produtos à base de cromo”, outras indústrias e “o tráfego de navios no Porto de Montevidéu”, explicou Muniz, que fez parte da equipe pesquisadora.

Nos últimos cinco anos, “houve uma intensificação na aprovação de leis ambientais e nos controles do despejo feito pelas indústrias, além da redução de curtumes e melhorias no tratamento dos efluentes”, afirmou. Contudo, a situação continua comprometedora para os cursos de água doce e a área costeira do sul uruguaio, alerta Defeo. “Temos que gerar estratégias de manejo integrado das costas que levem em conta os diferentes fatores que as afetam. O tema pede a presença do Estado e a geração de políticas de longo prazo”, acrescentou.

O diretor nacional de Águas e Saneamento, José Luis Genta, assegurou ao Terramérica que o objetivo é ter maior controle ambiental do Rio da Prata. Para isso, está sendo desenvolvido – disse – o Projeto Proteção Ambiental do Rio da Prata e sua Frente Marítima: Prevenção e Controle da Contaminação e Restauração de Habitats, em conjunto com a Argentina. Entretanto, o diretor de Meio Ambiente, Jorge Rucks, reconheceu ao Terramérica que é preciso fortalecer a gestão costeira. “O manejo integrado da relação entre o mar e a costa, afetado pelo desenvolvimento das atividades humanas, não controlamos com a capacidade que deveríamos. É uma política que agora procuramos desenvolver”, afirmou.

* A autora é correspondente da IPS.

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