SÃO PAULO, 16 de julho (Tierramérica).- De cada dez copos de suco de laranja orgânica consumidos na Europa e nos Estados Unidos, 8,5 são feitos com frutas produzidas em propriedades do Estado de São Paulo, integrantes do Grupo Montecitrus.
“Nos equivocamos muito até que chegamos a um sistema ideal de produção sem agrotóxicos”, explicou ao Terramérica o engenheiro agrônomo Marcelo de Almeida, que ajudou na conversão das plantações de Wanderley, Fábio e Paulo Rodas, principais produtores mundiais de laranja orgânica.
As seis mil toneladas de suco concentrado industrializado anualmente saem de 1,5 milhão de árvores plantadas em quatro mil hectares. A produtividade média é de 42 toneladas por hectare, superior a laranjais convencionais.
Tal rendimento é obtido graças a uma tecnologia desenvolvida pelos irmãos Rodas, que inclui um fertilizante orgânico elaborado com resíduos de cana.
CUBA
Mangues preparados para a mudança climática
HAVANA, 16 de julho (Tierramérica).- Especialistas e moradores da cubana Ciénaga de Zapata, uma das maiores áreas úmidas do Caribe insular, se preparam para o impacto da mudança climática em seus mangues, formações vegetais costeiras que abrigam uma importante riqueza animal.
Entre os dias 20 e 22 de julho, especialistas e moradores participarão de uma campanha intitulada “Se o clima muda, os mangues também mudam”, no mangue situado na província cubana de Matanzas.
O programa prevê um painel científico, “do qual esperamos obter recomendações para preservar os mangues, que neste momento são muito saudáveis”, disse ao Terramérica Julio Haedo, especialista em educação ambiental.
Os mangues contribuem para atenuar a força das ondas, evitando a penetração marinha terra adentro, e também servem como barreira de contenção da erosão costeira.
HONDURAS
Financiamento para agricultura indígena
TEGUCIGALPA, 16 de julho (Tierramérica).- Desde agosto, e por cinco anos, o governo de Honduras concederá empréstimos no valor total de US$ 15 milhões a cerca de 45 mil famílias indígenas do ocidente do país, para promover projetos de desenvolvimento sustentável.
O Plano Nacional de Caixas Rurais entregará um capital “semente” a grupos de cinco ou mais pessoas para produzir grãos básicos, hortaliças e café orgânico, entre outros, disse ao Terramérica Héctor Hernández, titular da Secretaria de Agricultura e Pecuária.
“Com investimento de US$ 15 milhões, estamos financiando cerca de três mil caixas rurais de crédito”, acrescentou.
A intenção é incentivar a agricultura, a produção auto-sustentável e a proteção ambiental nas regiões pobres e indígenas do país. O plano é apoiado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.
As caixas rurais de crédito começaram há mais de uma década, impulsionadas por camponeses e organismos estatais, como alternativa para quem não pode ter acesso a financiamento bancário.
VENEZUELA
Misterioso vazamento de petróleo
CARACAS, 16 de julho (Tierramérica).- Um vazamento de petróleo, de origem e volume desconhecidos, afeta, desde o dia 29 de junho, nove praias e cerca de 50 quilômetros na península venezuelana de Paria, bem perto de Trinidad e Tobago. A área está cheia de projetos de hidrocarbonos líquidos e gasosos.
“Não temos informação da PDVSA (estatal petrolífera) nem equipes do Ministério do Meio Ambiente para enfrentar a situação”, disse ao Terramérica Rosa Bosch, vice-presidente da Sociedade Conservacionista de Güiria, principal localidade da região. Bosch acrescentou que a mancha de óleo recebeu solventes que facilitaram sua precipitação para o fundo marinho.
Wilmer Duque, da PDVSA, descartou que plataformas da companhia, que operam a mais de 16 milhas náuticas, tenham provocado o vazamento, mas não negou que o impacto chegasse à vizinha Trinidad e Tobago. Estão sendo examinadas amostras para estabelecer sua origem, acrescentou.
CHILE
Coletores de lixo unidos
SANTIAGO, 16 de julho (Tierramérica).- No dia 11 deste mês, nasceu o Movimento Nacional de Coletores do Chile, com mais de 200 membros que comemoraram o fato com uma caminhada sob o lema “Catadores organizados jamais serão pisados”.
A entidade busca contribuir para dignificar a atividade, que emprega mais de 30 mil pessoas com salários em torno de US$ 350, e convertê-la em uma “força que possa exigir das autoridades locais e nacionais o reconhecimento formal de seu trabalho”, já que hoje “competem” com os caminhões dos serviços municipais de coleta de lixo, disse ao Terramérica o porta-voz Ezequiel Estay.
“O Chile era o único país que não tinha representação no movimento latino-americano” de catadores, acrescentou.
“A morte de seis catadores, em maio, devido ao incêndio de sua casa utilizada como centro de coleta, acelerou nossos planos”, afirmou o dirigente, para quem os coletores estão estigmatizados como bêbados e drogados. *Fonte: Inter Press Service.