MANÁGUA, (Tierramérica).- Mulheres nicaragüenses da reserva ecológica do Rio San Juan, no sudeste da Nicarágua, converteram-se em produtoras de casulos de mariposas que são exportados para jardins dos Estados Unidos e Canadá.
O projeto começou há cinco anos em El Castillo, com 11 camponesas que se associaram com apoio da Fundação Amigos do Rio San Juan (Fundar).
O representante da Fundação, Fabio Buitrago, disse ao Terramérica que outras camponesas se incorporaram à iniciativa e já contam com um laboratório onde são tratadas as larvas de 15 espécies nativas, muito apreciadas por turistas que visitam a região.
O mariposário pode gerar renda mensal de US$ 3,2 mil, já que o preço médio de um casulo no mercado internacional é de US$ 1.
A reserva do San Juan, de 20 mil quilômetros quadrados, integra a Rede Mundial de Reservas da Biosfera da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
HONDURAS
Ambientalistas rejeitam lei de aqüicultura
TEGUCIGALPA., (Tierramérica).- Grupos ambientalistas de Honduras são contrários a um projeto em debate no Congresso para regular a indústria da pesca, alegando que dará às multinacionais mais liberdade para explorar mares e cursos de água.
“Encontramos (no projeto) violações ao artigo 107 da Constituição, que proíbe às multinacionais o acesso à exploração de nossos mares, rios, lagos e lagoas”, disse ao Terramérica Jorge Varela, do Comitê para a Defesa da Flora e Fauna do Golfo de Fonseca.
“Se a lei for aprovada como está, as multinacionais poderão realizar aqüicultura em concessão e tratar esses lugares como se fossem propriedade privada”, ressaltou Varela.
Para o ministro da Agricultura, Mariano Jiménez, a lei pretende regulamentar a indústria pesqueira comercial e artesanal no país.
Para a superexploração dos recursos, é necessário buscar novas alternativas que permitam uma exploração sustentável, explicou.
A produção pesqueira hondurenha, de 8,53 bilhões de toneladas métricas, gera renda de US$ 180 milhões por ano.
GUATEMALA
Capacitação de agricultores
GUATEMALA., (Tierramérica).- Cerca de 18,5 mil produtores agropecuários da Guatemala foram capacitados este ano em 716 oficinas organizadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, disse ao Terramérica o porta-voz ministerial Nery Calvillo.
“A capacitação se dá com apoio do Ministério e visa a melhorar a produção e o armazenamento de grãos básicos, como milho, feijão, arroz e sorgo”, explicou o ministro.
As oficinas incluem pecuária, avicultura, piscicultura e vigilância zoosanitária, esta última como parte de um convênio com o México, que sofreu um epidemia de aftosa nos anos 40, acrescentou Calvillo.
“Somos um país tão pobre que devemos trabalhar em preventivamente, porque se entrar uma praga como a febre aftosa nossa economia será destroçada”, afirmou o ministro.
Os cursos incluíram formação ambiental, como manejo de irrigação e proteção do meio ambiente, “para ter uma produção agrícola e pecuária sem destruir os recursos naturais”, ressaltou.
ARGENTINA:
Legislação contra pesca excessiva
BUENOS AIRES., (Tierramérica).- Ecologistas da Argentina saudaram a aprovação, este mês, de uma lei de manejo sustentável dos recursos pesqueiros na província de Santa Fé, que abriga a maior atividade pesqueira de água doce do país.
“Mais de cem mil habitantes poderão ser beneficiados de forma direta com esta lei se formos capazes de velar por seu cumprimento”, disse o ecologista Jorge Capatto, coordenador da Fundação Proteger, que desde 1990 alerta sobre o perigo do desaparecimento do sábalo (Brycon melanopterum) e de outras espécies do Rio Paraná por causa da pesca excessiva.
Os ovos e larvas do sábalo estão na base da cadeia alimentar de 220 espécies.
A lei regula a captura, industrialização e comercialização dos recursos e permite a pesca comercial apenas em barcos pequenos e por quem more pelo menos há dois anos na região.
A aprovação esteve precedida de seminários organizados pela Proteger e pela Amigos da Terra, que contribuíram para o estabelecimento de um diagnóstico dos recursos e promoveram a participação da população local.
GLOBAL
Novo prazo para prêmio ambiental
MÉXICO., (Tierramérica).- O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) prorrogou até meados de dezembro o período para receber indicações para seu novo prêmio, Campeões da Terra, dirigido a líderes e ativistas ambientais.
O prazo terminaria no dia 1º de dezembro, mas foi prorrogado até o dia 15, informou o escritório do Pnuma para a América Latina no México. O objetivo é permitir novas postulações, que no caso da região são cerca de dez.
Será entregue um prêmio para cada região: África, Ásia Ocidental, Ásia e Pacífico, América do Norte, América Latina e Caribe, e Europa.
O objetivo do Pnuma é que, uma vez entregues os prêmios, os trabalhos dos ganhadores sejam colocados em prática em outras partes do mundo.
O prêmio consiste em uma placa e uma viagem ao local da cerimônia de entrega, que acontecerá no dia 5 de junho de 2004, por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente.
PERU
Ervas medicinais protegidas
LIMA, (Tierramérica).- O governo peruano defenderá a diversidade biológica, os recursos genéticos e os conhecimentos da farmacopéia indígena através de um Registro de Cultivos e Plantas Nativas e de uma ação diplomática e legal no exterior.
A iniciativa,aprovada em 19 de novembro pela Comissão Agrária do Congresso, responde a múltiplas denúncias de atos de pirataria cometidos por multinacionais.
Estas companhias registram patentes como sendo seus produtos usados ancestralmente por comunidades da selva e da serra, que conhecem suas virtudes medicinais ou alimentícias.
A exportação de produtos medicinais aumentou nos últimos anos a um ritmo de 20% ao ano, e espera-se que em 2003 represente quase US$ 10 milhões.
O presidente do Instituto Peruano de Produtos Naturais, José Luis Silva, alertou sobre o interesse de alguns importadores chineses e japoneses em ervas como maca, yacon e sangue de dragão, com o propósito de aclimatá-las em seus respectivos países.
Silva também pediu medidas para promover a exportação desses produtos com valor agregado.
COLÔMBIA
Empréstimos verdes
BOGOTÁ, (Tierramérica).- O Centro Nacional de Produção mais Limpa da Colômbia vai operar a partir de dezembro uma linha de crédito financiada pelo governo da Suíça para empresas que realizem projetos ambientais sustentáveis.
Os valores mínimos serão de US$ 10 mil, reembolsáveis em até cinco anos, e voltados a empresas com ativos inferiores a US$ 5 milhões e menos de 500 empregados.
A ajuda será para projetos de prevenção ou controle de contaminação, através do Banco de Bogotá, Bancolômbia ou Corfinsura.
Se a implementação conseguir avanços significativos de um indicador ambiental representativo, o governo suíço pagará uma parte do empréstimo solicitado.
Uma das maiores limitações à produção limpa na Colômbia é a falta de financiamento, segundo pesquisas do Centro Nacional de Produção Mais Limpa. *Fonte: Inter Press Service.