RIO DE JANEIRO, 18 de setembro (Tierramérica).- O fenômeno climático El Niño voltará a ocorrer no final do ano, mas não terá a forte intensidade de 1997/1998, quando causou secas e incêndios devastadores, segundo meteorologistas brasileiros.
Tenderá a ser “moderado” porque as águas superficiais do Pacífico equatorial alcançarão entre dois e quatro graus acima da média histórica, disse ao Terramérica Expedito Gomes Rebello, pesquisador do Instituto Nacional de Meteorologia.
Isto é previsível porque águas que correm a cem metros de profundidade hoje estão quatro graus mais quentes, explicou. Assim, ocorrerão secas no norte da Amazônia e no nordeste brasileiro e mais chuvas no sul.
URUGUAI
Reapareceu o lobo-guará
MONTEVIDÉU, 18 de setembro (Tierramérica).- No Uruguai, o ressurgimento de um exemplar de lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), o primeiro que se observa em 16 anos, poderia ajudar a financiar uma pesquisa sobre a espécie.
O exemplar, morto por caçadores no Departamento de Cerro Largo em meados deste mês, foi levado para o Museu de História Natural e Antropologia, em Montevidéu, onde foi embalsamado e aguarda para ser estudado.
O diretor do Museu, Arturo Toscano, disse ao Terramérica que está fazendo gestões, junto com o Ministério da Pecuária, Agricultura e Pesca, para conseguir financiamento para uma pesquisa que incluiria a busca de outros exemplares em Cerro Largo.
“Com base no que for encontrado, poderemos fazer uma proposta de conservação em nível nacional, ou local”, disse Toscano.
O último lobo-guará, que chega a pesar 40 quilos e habita vários países da América do Sul, havia aparecido em 1990 no Departamento de Rio Negro.
VENEZUELA
Voluntários limpam 300 praias
CARACAS, 18 de setembro (Tierramérica).- Vinte mil voluntários limparam 300 praias do Mar do Caribe e alguns rios e lagoas da Venezuela, no dia 16 de setembro, coincidindo com o fim das férias escolares.
“Também classificamos e fazemos um inventário do lixo recolhido nessas jornadas. A experiência dos últimos anos mostra que o lixo associado à atividade turística, em particular o plástico, é o maior poluente de nossas praias”, disse ao Terramérica Maury Marcano, porta-voz da iniciativa, organizada pela Fundação para a Defesa da Natureza.
Em 2005, milhares de voluntários recolheram, em 179 praias, 755 toneladas de lixo. Esta jornada anual de limpeza costeira é financiada por grandes empresas privadas.
CHILE
Indígenas combatem lixões
SANTIAGO, 18 de setembro (Tierramérica).- Uma dezena de representantes de comunidades mapuches, da nona região chilena da Araucania, denunciaram que são alvo de racismo e discriminação por parte das autoridades, que instalaram 19 lixões a menos de um quilômetro de suas casas.
Os indígenas asseguram que o mau cheiro e a queima do lixo lhes causa doenças respiratórias. Além disso, os lixões provocaram o surgimento de matilhas de cães e a contaminação de boa parte de seus animais, como os porcos¸ com a larva que provoca a triquinose nos seres humanos.
Os lideres mapuches se reuniram na localidade de Temuco para definir novas estratégias para acabar com o problema.
Alejandra Parra, da não-governamental Rede de Ação pelos Direitos Ambientais, disse ao Terramérica que vê dificuldade para uma rápida solução, por isso, provavelmente, apresentarão uma denúncia de racismo perante um organismo internacional, que ainda não foi definido.
HONDURAS
Jornalistas lançam prêmio ambiental
TEGUCIGALPA, 18 de setembro (Tierramérica).- Um pequeno sindicato de jornalistas do interior de Honduras anunciou a criação do prêmio “Bellota de Ouro”, para premiar a trajetória dos defensores do meio ambiente.
A Associação Hondurenha de Jornalistas Ambientais e Agroflorestais (Ahpaaf), de 25 membros e funcionando desde maio, entregará o prêmio no dia 1º de novembro ao comerciante Emilio Larach, destacado por empreender inovadoras campanhas em favor do desenvolvimento sustentável do país, por mais de três décadas.
Atualmente, ele refloresta as principais bacias hídricas da capital.
Dolores Valenzuela, presidente do sindicato, disse ao Terramérica que, em geral, “aqui os prêmios ecológicos são concedidos a quem depreda os recursos naturais e se abriga sob o manto de notáveis. Nós reconhecemos quem realmente está comprometido com o meio ambiente”, afirmou.
CUBA:
Hortaliças ecológicas na porta de casa
HAVANA, 18 de setembro (Tierramérica).- Vários terrenos baldios em pontos centrais e populosos, de 14 dos 15 municípios de Havana, foram destinados a cultivos organopônicos, como parte do programa de agricultura urbana para 2006, na capital de Cuba.
Trata-se de espaços reduzidos cultivados sem produtos químicos, neste caso em canteiros protegidos que permitem preservar melhor o substrato, enriquecido com matérias orgânicas, e obter maior rendimento.
Yamil Sarría, especialista do grupo de agricultura urbana na capital, de 2,2 milhões de habitantes, disse ao Terramérica que esses cultivos estão protegidos de eventuais inundações, além de se recuperarem mais rapidamente dos efeitos de ciclones.
As plantações, basicamente condimentos e hortaliças, “são de pouca altura e sofrem menos com os ventos de furacões”, acrescentou o especialista.
ITÁLIA
A criação de formigas é um bom negócio
MILÃO, 18 de setembro (Tierramérica).- Nas setentrionais colinas italianas de Ascoli, o apicultor Emidio Ferreti cria formigas para vendê-las por quilo, para serem usadas no combate a outros insetos que destroem cultivos, na polinização das oliveiras, e até em filmagens.
As espécies mais populares são as Crematogaster scutellaris, pequeníssimas formigas de cabeça vermelha, e as Camponutus herculeanus, negras que mordem até tirar sangue.
“A criação de formigas é um recurso econômico e alimentício. São vendidas, e seus ovos são nutritivos e apreciados como o caviar. São uma fonte inesgotável, se renovam e protegem as plantas e a natureza”, disse Ferreti ao Terramérica.
Suas formigas produzem 60 quilos de larvas ao ano (cada quilo tem um milhão) e seu preço é de pouco mais de US$ 500 o quilo. *Fonte: Inter Press Service.